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Hebiatra é o profissional mais bem preparado para lidar com questões da adolescência

Que incluem não só as mudanças físicas da puberdade e maturação sexual, mas as psicossociais como a descoberta da sexualidade

Médica atendendo adolescente em consultório
Medicina do adolescente envolve tratar o jovem como agente capaz de responsabilizar-se por sua saúde e escolhas

O pediatra costuma ser o grande aliado dos pais, principalmente os de primeira viagem: é esse especialista que é acionado em momentos de emergência, como febres, enjoos e dores repentinas, entre outros… Conforme a criança cresce, no entanto, esse médico deixa de ser tão requisitado. As meninas menstruam e começam a ir ao ginecologista, já os meninos vão ao clínico geral se sentem algo diferente. É uma fase em que saúde dos filhos, de modo geral, começa a causar menos sustos.

Mas isso ocorre justamente num período em que o corpo do jovem sofre uma série de mudanças comuns da puberdade: crescimento de pelos, desenvolvimento dos caracteres sexuais, descoberta da sexualidade. Nesse momento, sem o suporte adequado, ele pode começar a desenvolver alguns problemas mais graves, como distúrbios alimentares, problemas de saúde mental e comportamentos relacionados aos vícios, e é difícil dividir isso com os pais.

A partir da percepção dessas necessidades específicas nasceu a especialidade em medicina de adolescente, que atende jovens entre 10 e 20 anos (e pode se estender até os 25 anos). E não precisa ser só pediatra para se especializar nessa disciplina: médicos de família, ginecologistas ou clínicos gerais também podem se aprofundar nessa nova área do conhecimento.

Pacientes diferentes, protocolos diferenciados

Por ser uma fase conturbada e de evolução para a fase adulta, uma das primeiras mudanças na consulta com o hebiatra é a individualização do paciente e o respeito a sua privacidade (que só será quebrada em situações de risco). Normalmente o parte da consulta, ou até mesmo nela toda, o adolescente poderá conversar com o especialista sozinho, permitindo que ele fale de temas delicados que não seriam abordados na presença dos pais, pelos mais diversos motivos: vergonha, incerteza, medo ou mesmo a falta de abertura.

Um artigo publicado na revista científica Pediatric Research em 2003 indica que uma das principais transformações encontradas na medicina de adolescente é “a mudança do papel tradicional de fornecer orientação aos pais para uma orientação direta aos adolescentes visando a redução dos comportamentos de risco”2. Ou seja, o adolescente passa a ser abordado sem o intermédio dos pais, visto como uma figura capaz de começar a se responsabilizar por si mesmo.

Além disso, por mais que o adolescente seja quase um adulto, ele ainda apresenta imaturidade física e mental e seu organismo se comporta de forma distinta. Ele passa por muitas mudanças hormonais e até mesmo diferentes estágios de maturação de regiões cerebrais, o que pede uma abordagem mais específica. Isso tudo impacta em como seu corpo reage a estímulos sociais, medicamentos, doenças crônicas e outras questões.

Existem ainda mudanças comportamentais: a psicologia considera a rebeldia do adolescente algo normal, já que nessa fase eles estão buscando seu lugar no mundo. Há ainda a descoberta da sexualidade, que hoje sabemos que envolve muito mais do que a escolha de quando iniciar a vida sexual. Orientação sexual e identificação de gênero são apenas alguns dos pontos de reflexão e autoconhecimento que envolvem essa fase e hoje são mais socialmente discutidos.

Ou seja, os hábitos da sociedade exigem a formação de profissionais capacitados para lidar com tantas variáveis. Quanto mais o mundo desses jovens se expande, mais oportunidades o hebiatra tem para atuar como um orientador, parceiro e incentivador de boas práticas de saúde. O médico de adolescente passa a ser agente transformador, capaz de atuar independentemente do meio em que inicialmente tenha se especializado. Mas, para isso, é preciso estar atento às mais recentes diretrizes dessa área.

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Referências
  1. Moreno, M. Thompson, L. “What Is Adolescent and Young Adult Medicine?”. JAMA Pediatr. 2020; 174(5): 512
  2. Alderman, EM. Rieder, J. Cohen, MI. “The History of Adolescent Medicine”. Pediatric Research. 2003; 54: 137–147

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